O silêncio produtivo


É preciso silenciar o barulho da mente. Antes, quando ouvia essa expressão, pensava que se tratava de algo piegas, de pensamento de "gente que não tinha o que fazer", até começar - por necessidade - a perceber a verdade contida nessa expressão.

O barulho da mente incomoda. Primeiro porque com o excesso de pensamento e de preocupações ficamos cada dia mais cansados. Depois, porquanto com nossos preconceitos - advindos de pensamentos enraizados - nos tornamos incapazes de aceitar as diferenças e de nos transformar. E então, esgotados e "cheios de razão", não nos permitimos errar (ou mudar). Aumentamos o tom de voz. Nos distanciamos das pessoas. Nos tornamos, a cada dia, mais inflexíveis e teimosos.

Silenciar o barulho da mente implica em não receber aquilo que vem dos outros como ofensa pessoal, significa evitar - tanto quanto seja possível - julgamentos prévios ou preocupação com aparências ou opiniões alheias. O silêncio da mente nos permite ouvir de verdade o que o outro tem a dizer, e, mais do que isso , nos permite escutar nossas próprias necessidades pessoais, resgatando nossa fonte primária de amor. Amor pela vida. Pelas pessoas. Por nós mesmos.

Cresci ouvindo que aquilo (ou aquele) que nos irrita, nos domina. É fato. Muitas vezes uma preocupação, seja em que área for, ou uma situação mal resolvida, consome nossos pensamentos de tal forma que gastamos litros de energia tentando encontrar soluções. Consumimos nossa força vital buscando racionalizar tudo, na ilusão de que o controle irá aliviar nosso barulho interno.

Só que, muitas vezes, o que efetivamente precisamos é esvaziar a fonte de controle. Esvaziar: para poder receber. O fluxo do Universo é tão perfeito que, se estamos assoberbados demais com nossos próprios pensamentos não conseguimos estar abertos para receber toda a abundância que o mundo pode nos oferecer. E toda a alegria. A alegria que surge quando estamos perfeitamente conectados com nossa fonte de vida, com nossos sentimentos reais e sem a preocupação de sermos julgados por nossas fraquezas.

Isso não quer dizer marasmo. E nem falta de perspectivas. Podemos ( e devemos) ter metas reais, concretizar nossos anseios e desejos, tais como obter sucesso profissional ou alcançar um tão almejado cargo ou, quem sabe até, participar de uma maratona esportiva. Isso exige, obviamente, foco e disciplina. Vigor, investimento de tempo e dedicação. Mas o que não podemos é deixar com que o barulho interno seja tão alto a ponto de não nos escutarmos mais. A ponto de nos tornarmos cada vez mais frios (e rabugentos) e, até mesmo, de perdermos nossa capacidade de amar.

Em paz e para a paz.

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Letícia Schirmer de Souza. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais. Pós graduada em Direito Público, em Direito Tributário e em Gestão Pública. Escritora (nas horas vagas).

#Saberviver

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