• Anissis Moura Ramos

Suicídio no Brasil


Outro dia li uma matéria sobre suicídio, onde constava que, no período de 2000 a 2016, no Brasil, o suicídio aumentou 73%, sendo que o maior registro se deu entre jovens e idosos. Apesar de ter estabilizado esse índice, o Brasil continua ocupando o quarto lugar de suicídio entre jovens.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é a maior causa mortis entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Frente a esses números, o suicídio passou a ser tratado como um problema de saúde pública. É importante refletir sobre esse tema, o que está levando as pessoas a interromperem sua vida. Nos últimos dias, acompanhei alguns casos de tentativa de suicídio, isso além de me chamar a atenção, preocupou-me, porque existe algo errado acontecendo e as pessoas não estão se dando conta.

Não podemos entender o suicídio apenas como um ato aleatório, seria muito simplista, na realidade, a pessoa acredita ser a saída de um problema ou crise que está gerando sofrimento.

O suicídio, “meutre de soi-même” ou “selbstmard”, cuja tradução literal é “homicídio de si próprio ou assassinato nos 180º”, trata-se de um ato por demais singular, em que o indivíduo curiosamente é, ao mesmo tempo, vítima e autor. Podendo isso ser compreendido como um ato humano de cessação da vida de forma consciente, auto infligido e auto intencional, enfatizando ser o objetivo principal, muito mais a morte do que a produção de lesões, mutilações ou uma tentativa de chamar atenção, como muitas pessoas pensam.

A pessoa ao cometer o ato encontra-se em um estado de confusão mental e por consequência, com consciência vigil diminuída. Existem outras funções mentais, como o pensamento, o afeto, o juízo crítico, a senso percepção alterados. Caso o ato não se consuma, é importante que a família possa ter olhar atento a esse indivíduo.

O suicídio em pessoas idosas, na maioria das vezes, segundo estatísticas, ocorrem aos domingos no final da tarde. Isso pode estar atrelado ao sentimento de solidão, de abandono, de frustração. Muitas dessas pessoas ficam aguardando a visita de familiares por vários finais de semana e essas visitas nunca acontecem. A dor do abandono faz com que se sintam rejeitados e muitas vezes, se percebem como um estorvo na vida dos filhos e netos, aí a melhor solução é terminar com o seu sofrimento e com o “peso” que está sendo para família.

A tentativa de suicídio e/ou suicídio entre jovens se dá na maioria das vezes como uma forma de chamar atenção de seus genitores que esqueceram ou nunca souberam o seu papel e a responsabilidade que tem para com os filhos. Muitos pais, na medida em que os filhos vão crescendo, aproveitam para se isentarem de suas responsabilidades, passam a olharem só para si e esquecem que aquela criança/adolescente precisa do seu olhar, da sua atenção, do seu afeto.

É comum escutarmos as pessoas interpretarem a tentativa de suicídio como uma forma de chamar atenção, isso é uma fala totalmente empírica, em que as pessoas atestam o seu desconhecimento e se isentam da sua responsabilidade.

Costumo dizer que aquele velho ditado “cão que ladra não morde”, não funciona para suicida. O suicida nos dá vários sinais e geralmente tenta até conseguir.

Percebe-se que as desestruturações familiares tem contribuído muito para o suicídio de jovens. Estatísticas mostram que muitos jovens que se suicidaram, em São Paulo, eram filhos de pais separados. Provavelmente, não tenham conseguido lidar com a nova realidade de família ou com a ausência dos pais. É comum nos casos de separação, quando os genitores reconstroem a vida afetiva, esquecer de olhar para o filho. Isso gera sofrimento intenso para criança/adolescente, despertando-lhe sentimento de abandono, rejeição, fazendo com que o filho se perceba como um estorvo na vida dos genitores. Aí a melhor solução é apelar para o suicídio, pois assim não atrapalhará a vida de seus pais.

Infelizmente, as famílias têm dificuldade de aceitar que um de seus membros apresenta dificuldades, que tem problemas na área psíquica. O preconceito fala mais alto, aceitar pode ser compreendido como a forma de atestar que falharam, negam os conflitos familiares existentes e na maioria das vezes, o suicida é o paciente identificado, quando na realidade, o problema é intrafamiliar.

Claro que a família não é a única causa, a depressão, o bullying, o uso de drogas licitas (álcool) e ilícitas, as frustrações, etc, contribuem para levar o jovem ao suicídio, mas a família é a base para que isso não aconteça.

O que leva uma pessoa se suicidar? Segundo Kanders, “os motivos do suicídio não os fornece a morte, nem os pensamentos dela, porém a própria vida”. A tentativa de suicídio e/ou suicídio não pode ser falado de forma romanceada ou natural, é algo grave e indica que a pessoa precisa de ajuda.

Referências:

KAPLAN, Harold I. SADOCK, Benjamin S., SADOCK, Virginia A. Compêndio de Psiquiatria – Ciência do Comportamento e Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2017.

https://noticias.r7.com/saude/estavel-suicidio-entre-jovens-ainda-e-quarta-causa-de-morte-no-brasil-21052018

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