• Anissis Moura Ramos

Falsas memórias


Segundo Elisabeth Loftus, a ideia mais assustadora é que aquilo em que nós acreditamos com todo nosso coração pode não ser necessariamente a verdade. Podemos lembrar eventos que na realidade não aconteceram e a isso damos o nome de Falsas Memórias.

O interessante é que as falsas memórias às vezes são mais fascinantes por se apresentarem cheias de detalhes, trazendo a sensação de ser mais vivida do que as memórias verdadeiras.

Importante sublinhar que ao se falar de falsas memórias não estamos falando de mentiras. Na realidade elas são similares as memórias verdadeiras, o que as diferencia é que as falsas memórias são recheadas de lembranças de informações que não aconteceram ou de eventos que não ocorreram. As falsas memórias não podem ser compreendidas como um funcionamento adoecido, elas fazem parte do funcionamento normal, podem ocorrer tanto por questões endógenas, como por falsas informações ofertadas pelo ambiente externo. Isso permite que as classifiquemos como falsas memórias espontâneas ou sugeridas. As espontâneas são decorrentes de distorções endógenas, ou seja, internas do indivíduo. A distorção também denominada de autossugeridas se dá quando a lembrança sofre uma alteração interna, ocasionada pelo próprio funcionamento da memória, não tendo nenhuma interferência externa. Por exemplo, a pessoa pode agregar informações de um evento, quando na realidade era de outro.

As falsas memórias sugeridas ocorrem da sugestão de falsas informações externas ao sujeito após o evento ocorrido, sendo estas incorporadas a memória original. Isso pode ocorrer de forma acidental ou deliberada. No caso de falsa memória sugerida, após acontecer um evento, passado um tempo, uma nova informação é relatada como fazendo parte dele, quando na realidade não é.

Existem três modelos teóricos que fundamentam os mecanismos responsáveis pelas falsas memórias, sendo eles: Paradigma Construtivista, teoria do monitoramento da fonte e a teoria do traço difuso.

É comum encontrarmos pessoas que lembram de situações ou fatos com vividez e com profunda certeza, que a priori não cabe ser questionado. Todavia, as pesquisas sobre falsas memórias mostram que o ser humano consegue lembrar, de forma espontânea ou sugerida, situações ou eventos que nunca ocorreram. Isso leva-nos a pensar e questionar o limite entre o falso e o verdadeiro.

É interessante saber que as falsas memórias hoje são reconhecidas como um fenômeno que ocorre no dia a dia das pessoas, sua base está vinculada ao funcionamento saudável da memória e não podem ser compreendidas como patologia.

Na área jurídica as falsas memórias tem recebido um olhar diferenciado, em função do depoimento de testemunhas que nem sempre são fidedignos, podendo causar graves prejuízos à vida de outras pessoas.


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