As várias fases emocionais que vivemos na pandemia


Quando o ano de 2020 iniciou, ninguém imaginou que o coronavírus iria se disseminar amplamente pelo mundo, causando uma pandemia. Parou a vida de todos, levando as pessoas para dentro de casa, para o isolamento social e trazendo consigo um grande prejuízo econômico-financeiro.


Logo que as pessoas foram para casa, percebia-se o quão eufóricas estavam. O sinal do whatsApp não parava, toda hora entravam mensagens sobre o coronavírus. Pareciam que estavam de férias, ficar em casa era novidade. Para alguns, a novidade não era tão boa, mas tinham que ficar em casa, essa era a ordem. O “fica em casa” foi motivo de conflito entre muitos.


No final da segunda semana, via-se que o comportamento das pessoas começou a mudar. O whatsApp já não tocava tanto, as pessoas estavam mais quietas, o ficar em casa já não era tão bom e muitos ainda tinham a dificuldade de acreditar na existência do coronavírus. Achavam que era mais uma jogada política do que qualquer outra coisa.


Na medida que o tempo foi passando e a ordem era continuar em casa, o descontentamento, as preocupações, a frustração e até mesmo a raiva começou a surgir. Além de não aguentar mais estar em casa, as preocupações financeiras passaram atormentar a vida de muita gente. Empresas começaram a demitir, outras a suspender contratos, negociar salários e algumas fecharam as portas definitivamente. Iniciou a piora do caos social, econômico e financeiro que já se vivia.


Vendo que a revolta anterior não trouxe alívio, as pessoas começaram a tentar fazer coisas para reverter a situação. Alguns apelaram até para o Divino com a esperança de obter um milagre e a pandemia não ser mais do que um grande pesadelo.


Ao perceber que não tiveram êxito nas tentativas feitas e até na sua barganha com o Divino, entraram num grande sofrimento. Começaram apresentar ou potencializar sintomas de depressão e ansiedade, a ter ataques de pânico e alguns começaram a ter pensamentos suicidas e outros, infelizmente, chegaram as vias de fato. Lamentavelmente, não perdemos vidas apenas para o coronavírus, mas para o suicídio também.


Ao conseguirem suavizar um pouco os sentimentos, as pessoas começaram a refletir e a terem percepções mais congruentes com a situação da pandemia. De certa forma, conseguiram começar a criar expectativas, a aceitar a situação da Covid-19 como ela é, até mesmo pensar no momento pós pandemia.


Viu-se nas descrições acima, nada mais, nada menos, que os cinco estágios do luto que são: negação, raiva, negociação ou barganha, depressão e aceitação. Cada pessoa está vivendo esses estágios do seu jeito e no seu tempo. Alguns podem estar ainda na fase da negação, enquanto os outros estão na fase da aceitação.


O importante é saber que todos passarão por essas fases, visto se estar vivendo o luto da vida que se tinha. Aqueles que perderam um ente querido, também estão passando por todas essas fases, talvez até de uma forma mais acentuada, porque não tiveram a oportunidade de fazer o ritual de despedida que simboliza o fechamento do ciclo.


Sendo assim, permita-se viver cada fase desse luto da melhor maneira que conseguir. Caso veja que não está conseguindo vencer sozinho, não deixe o sofrimento tomar conta, busque ajuda de um profissional e torne esse momento tão delicado que se vive, o menos sofrido possível.



Publicado na webartigos em 16/07/20.


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