Ilheus e a ressocialização dos apenados

Tive a honra de participar, no sábado próximo passado, do Grupo de Estudos de Conjuração Agnóstica da Pena, presidido pelo juiz diretor do Fórum da justiça Federal de Ilhéus. Trata-se de um grupo fechado, entrei nos 8 minutos finais da fala do magistrado. Após abrir para perguntas, o magistrado me faz uma provocação e ao responder, gostou e pediu que abrisse a gravação e meu deu 15 minutos de fala. Confesso que fiquei muito feliz, mas preocupada se daria conta do recado.


Fiz minha apresentação ao grupo, citando minha formação, em Porto Alegre, em especialização na área clínica, formação nas área de psicologia jurídica e forense, mestrado em teologia e minha atuação como perita judicial, sendo inclusive credenciada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.


O juiz citou que o apenado fica rotulado, após sair do presidio, dificultando sua reinserção na sociedade. Eu destaquei que o estereótipo faz com que as pessoas o vejam como um indivíduo que não é confiável e isso contribui para reforçar as crenças do ex-detento de que não é uma boa pessoa, contribuindo para que volte a cometer algum tipo de delito, retornando, muitas vezes, ao sistema prisional.


Comentei que quando fiz minha formação em psicologia forense, estudei como deve ser a formação do apenado e que a lei era perfeita. Porém, posso falar pela experiência de Porto Alegre, pois não conheço como funciona o regime penitenciário em outras cidades do país, com certeza, o sistema prisional está muito distante do que vemos na lei. Acredito que se fosse colocado em prática o que é previsto para recuperação do detento, eles seriam muito melhores e com condições de sair do mundo do crime.


Na minha breve abordagem, citei várias teorias. Falei rapidamente sobre a compulsão à repetição (Freud), falei sobre os arquétipos que trazemos conosco quando nascemos e que se transformam em informações arquetípicas, quando se forma a consciência, por volta dos três anos de idade, na estruturação do ego (Jung) e sobre as crenças (Teoria Cognitiva Comportamental). Referi que muitas vezes o indivíduo vai repetir o comportamento que já viveu na sua família, sem se dar conta porque fica no nível do inconsciente e como a tendência é vivermos na automaticidade, não ficamos refletindo e analisando o nosso comportamento, é normal que isso aconteça.

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