O preço da inconsequência

Atualizado: Fev 26


A Covid-19 foi chegando de mansinho e na medida que foi avançando nos colocou "de um dia para o outro" dentro de casa e impôs a todos novas regras, novos hábitos, mostrando-nos a necessidade que tínhamos de nos adaptarmos a realidade que se apresentava.


A adaptação não foi um momento fácil para a maioria das pessoas, visto que frente a

um momento de extrema tensão como este, cada um teve um tipo de reação.

Começaram os julgamentos, as críticas, as pessoas passaram a dizer o que o outro

tinha que fazer, mesmo quando muitas vezes elas encontravam dificuldade de cumprir

as regras impostas pela pandemia.


O medo, a insegurança, a incerteza a ameaça da finitude passa a fazer parte da vida de

todos nós e isso contribuiu para que as pessoas começassem a se revelar enquanto

ser. O individualismo, a onipotência, o egocentrismo, a compaixão, a empatia, as

dificuldades nas relações interpessoais, a falta de limite, a dificuldade de lidar com a

frustração que outrora não aparecia, agora é exposto publicamente nas ruas e nas

redes sociais.


Infelizmente, não faz parte da nossa cultura viver na prevenção, as pessoas só

lembram da saúde quando adoecem, tanto física como psiquicamente. Isso pode ser

observado nas várias campanhas que são feitas para conscientizar a sociedade, por

exemplo, “sexo seguro só com camisinha”, no entanto, continua crescendo o número

de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Com a Covid-19 isso não é diferente,

principalmente, por ter que se seguir regras que nos são impostas por terceiros.


O uso de máscara, de álcool gel, higienização e manter o distanciamento são coisas tão

básicas e simples, mas difícil para muitas pessoas. Afinal, mudar ou desenvolver novos

hábitos não é algo fácil, quanto mais quando precisam ser desenvolvidos de forma

imediata e compulsória.


Frente as regras a serem cumpridas, muitos questionamentos sociais e políticos se

estabelecem, pois as pessoas estão se sentindo controladas pelo Estado, perdendo o

direito garantido pela Constituição Federal “de ir e vir”, que está ameaçado pela Covid-

19. Compreende-se que é difícil, para qualquer um de nós, a perda da liberdade,

porém a perda da vida com certeza consegue ser pior. A liberdade poderá ser revertida

em breve se seguirmos os protocolos indicados, ao passo que a morte não tem

reversão.


A falta de conscientização das pessoas sobre a gravidade do coronavírus, somado ao

sentimento de onipotência de algumas delas, bem como, a dificuldade que têm de

tolerar as frustrações e respeitar limites é que contribuíram para o momento crítico

que estamos vivendo em alguns Estados do país. Sem falar no desrespeito com os

profissionais da saúde que estão trabalhando na fase da exaustão do estresse, pedindo

para que as pessoas cumpram os protocolos e no entanto, não são escutados.


Essas mesmas pessoas que não conseguiram escutar os pedidos que vem sendo feito

de forma ostensiva pelos profissionais da saúde e governantes, são as que ocupam os

leitos das UPAS, emergências e CTIS dos hospitais. O mais agravante de tudo isso é que

se sentem no direito de reclamar da falta de agilidade no atendimento, mostrando a

sua total falta de coerência e responsabilidade pelos seus atos.


Afinal, todos nós sabíamos que a saúde iria colapsar e que muitas vidas se perderiam

em função do comportamento inconsequente que as pessoas estavam tendo.