O que leva uma pessoa ser um alienador parental


Muito se estuda e se fala sobre Alienação Parental ou Alienação dos Pais e sobre a Síndrome de Alienação Parental, já reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e que constará a parti de 1º de janeiro de 2022 no CID -11 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, entretanto, pouco se aborda o que que leva o alienador desenvolver tal comportamento.


É importante compreender que as atitudes do alienador em relação ao alienado não se dão apenas por questões de vingança, como muita gente pensa. As razões que levam a pessoa desenvolver este comportamento são bem mais profundas, podendo inclusive, estar vinculada a questões de personalidade.


Estudos mostram que a mulher é quem mais aliena, isso não significa que homens não façam alienação parental. Os homens também são alienadores, mas em menor proporção.


A dor da separação aciona no alienador vários gatilhos que estavam reprimidos, experiências vividas na infância e que não foram elaboradas. Por isso, a importância de se conhecer a história pregressa do indivíduo para poder ter uma melhor compreensão do seu funcionamento, investigando traços de personalidade e até mesmo a existência de uma possível patologia.


Pesquisas realizadas para conhecerem as características de personalidade apontam que o alienador demonstra personalidade instável, com vínculos simbióticos, frágeis e sujeitos a rupturas. Identificaram também defesas primitivas e intensa ansiedade de separação, levando a pensar em características compatíveis com as da organização limítrofe de personalidade. São pessoas que podem ter dificuldade de manter relacionamentos estáveis, onde, muitas vezes, a raiva é o seu único afeto.


O alienador ao se sentir rejeitado, abandonado ou até mesmo traído não consegue suportar a dor que toma conta de si. Apresenta dificuldade de administrar o vazio e o sentimento de solidão, devido ter uma estrutura de ego frágil. Possivelmente, na ânsia de se livrar desse sofrimento, tenta destruir a imagem de seu ex-cônjuge perante ao filhos e as demais pessoas, colocando-se na condição de vítima.


Pessoas com organização limítrofe têm a tendência de se mostrarem em seus ambientes “totalmente boas” ou “totalmente más”. Utilizam-se de defesas primitivas, como a idealização projetiva, onipotência e desvalorização. Apresentam dificuldade de integrar representações positivas e negativas do self. É comum essas pessoas usarem o termo depressão para descrever sentimentos crônicos de enfado, vazio e solidão. Todos esses sentimentos podem se manifestar por ocasião da separação.


Considerando-se os aspectos apresentados, julga-se importante que em um processo de separação em que haja a suspeita de alienação parental, quando solicitado a perícia psicológica, o profissional fique atento as características da personalidade do suposto alienador, valendo-se não só de uma entrevista semi-estruturada, mas também da aplicação de teste psicológico que lhe permita avaliar os traços de personalidade. Assim, terá mais argumentos sustentáveis para embasar seu laudo.

Referência:

https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/download/32693/30005


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