Síndrome de Alienação Parental: o que pode ocasionar para criança?

Psicóloga Perita Anissis Ramos

CRPRS 007/11.688



Entende-se por Síndrome de Alienação Parental (SAP) o conjunto de sintomas que a criança pode vir ou não a desenvolver, frente dos atos de Alienação Parental cometidos por um dos genitores.


A SAP já foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, devendo constar no CID 11 e trata-se de uma patologia grave que acomete crianças cujos os vínculos parentais estão arruinados. Um dos genitores ou terceiro interessado aproveita-se da inocência da criança e vale-se de questões afetivas para fazer com que ela atenda seus interesses ocultos. Claro que existem questões psíquicas do alienador que o levam a agir dessa forma. Muitas vezes, o alienador percebe o filho como uma extensão sua e necessita manter uma relação simbiótica com ele, acreditando que tem a necessidade de superprotege-lo, procurando estabelecer uma relação de dependência, tentando controlar a vida da criança, tirando-lhe o direito de escolha através da opressão. Diante de um grau elevado de neurose, o alienador não consegue perceber as consequência que seus atos podem ocasionar na vida psíquica do filho. Como já citei no artigo “O que leva uma pessoa ser um alienador parental”, existem traços de personalidade que contribuem para que tenha este tipo de comportamento.


O alienador procura implantar na criança o sentimento de insegurança, medo, angústia, ansiedade, culpa através de relatos de fatos que na maioria das vezes não aconteceram, como agressões físicas/sexuais causadas pelo outro genitor. Inclusive, muitas (os) alienadores chegam apresentar falsas denúncias de abuso sexual, expondo a criança ao exame de corpo delito, mesmo sabendo que nada aconteceu. Isso deve ser compreendido como um ato de violência contra o menor, visto que a criança é exposta a uma situação desnecessariamente. Precisa-se pensar qual a representação psíquica que o exame de corpo delito pode ter na vida psíquica do menor.


O genitor alienador se coloca na condição de vítima e protetor para o filho, meio utilizado para sensibiliza-lo. Mostra-se como aquele que quer o melhor para o filho e que se preocupa com ele, mas ao mesmo tempo age com perversidade, agindo de forma sutil para jogar o filho contra o outro genitor. A relação do filho com genitor alienado terá que passar pelo seu crivo.


Os sentimentos da criança acometida pela SAP começam a se mesclar lhe deixando ambivalente, ora quer ir com o genitor alienado, ora odeia e não quer ouvir a voz dele e isso lhe gera sofrimento psíquico.


Em casos mais graves da SAP, a criança lança mãos de mecanismos de defesa como a negação, a sublimação, a racionalização, a repressão e passa a demonstrar que não tem nenhum sentimento pelo genitor alienado, tenta passar a ideia de que está tudo bem, que o genitor alienado não tem nenhuma importância na sua vida para que as pessoas não percebam o sofrimento que está vivendo.

Claro que isso prejudica o desenvolvimento psíquico da criança ou adolescente, porque ele passa um bom tempo nutrindo sentimentos negativos em relação ao genitor alienado e corre o risco de passar abominar o alienador, caso descubra que todo o sofrimento que viveu poderia ter sido evitado se o genitor alienador não o tivesse usado para agredir emocionalmente o alienado.


Existe a possibilidade do filho ao descobrir a alienação parental, poder solicitar via judicial a reversão da guarda. Infelizmente, retomar o vínculo afetivo com o genitor alienado nem sempre é possível, pois ele pode ter ido a óbito, ter mudado de estado ou de país, ter construído uma nova família e desistido do filho que o rejeitava. Quando isso acontece, o filho sente-se culpado, responsável, tem remorso, pode desenvolver um quadro de depressão e de ansiedade. E como forma de dar vazão a dor psíquica que o consome no dia a dia busca na droga, no álcool ou no suicídio a solução para o seu problema.



Referência: SILVA, Denise Maria Perissini. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. O que é isso? Campinas: Autores Associados, 2010.




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