Setembro Amarelo


O Setembro Amarelo foi criado no ano de 2003 pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), visando prevenir o ato do suicídio, a partir de estratégias desenvolvidas pelos governos de cada país. A IASP incentiva a divulgação da causa em todo mundo no dia 10 de setembro, data escolhida para celebrar o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Nesse dia, é realizado em torno de 600 atividades em 70 países do mundo com o objetivo de salvar vidas.


É uma campanha que não se propõe apenas combater o suicídio, mas também desmistificar a ideia errônea que as pessoas tem em relação ao suicídio. Para muitos, trata-se de um ato de fraqueza, para outros de muita coragem.


Geralmente, o suicídio ocorre em pessoas acometidas de uma dor psíquica intensa, causada por um quadro de depressão profunda, às vezes crônica, não tratada por preconceito, por falta de oportunidade, por não ter alguém que estimule a buscar ajuda, por acreditar que o seu caso não tem solução.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) O suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo, conforme foi publicado no relatório “Suicide worldwide in 2019”. Foi divulgado também, que anualmente morre mais pessoas cuja a causa é o suicídio do que HIV, malária, câncer de mama ou guerras e homicídios. Conforme foi apontado no relatório da OMS, em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio, sendo uma em cada 100 mortes. Isso fez com que a OMS começasse a elaborar novas orientações para ajudar os países a melhorarem a prevenção do suicídio e atendimento. Esses dados justificam o fato de ser dedicado o mês de setembro a prevenção do suicídio.


O suicídio é um problema de saúde pública e deve ser tratado como tal. Não cabe comentários, críticas quando escutamos que alguém tentou o suicídio ou se suicidou. Precisamos ter a clareza que a dor psíquica que aquela pessoa carregava com ela, muitas vezes mascarada atrás de um sorriso, era intensa. Muitos pedem ajuda através de sua fala, mas que não é valorada. Nesses casos, é comum escutarmos que a pessoa está querendo chamar atenção da família, dos amigos, dos colegas e pela falta de conhecimento não vem que por trás da fala do suicida está um pedido de socorro, uma esperança de poder continuar vivo se alguém lhe ajudar.


Aquele ditado que diz que cão que ladra não morde, não funciona para o suicida. Ele vai tentar até conseguir, por isso a importância de termos uma escuta atenta quando percebermos que alguma pessoa do nosso convívio não está bem. Ao percebermos que a pessoa está com pensamentos derrotistas, não ter constrangimento em perguntar se ela chega a pensar em abreviar a vida. Importante sublinhar para pessoa, as conquistas, vitórias que teve em sua caminhada, destacar a importância que ela tem para família, amigos, colegas, etc, por fim convida-la a buscar ajuda de um profissional da saúde mental para que possa não só ajudá-la a diminuir os sintomas depressivos, mas também a se manter viva. A pessoa em um quadro de depressão grave não consegue ver nenhuma saída a não ser a morte.


A OMS criou algumas orientações para ajudar os países a implementarem a abordagem “LIVE LIFE” como forma de prevenção ao suicídio, sendo elas:

  • limitar o acesso aos métodos de suicídio, como pesticidas e armas de fogo altamente perigosos;

  • educar a mídia sobre a cobertura responsável do suicídio;

  • promover habilidades socioemocionais para a vida em adolescentes; e

  • identificação precoce, avaliação, gestão e acompanhamento de qualquer pessoa afetada por pensamentos e comportamentos suicidas.

A tentativa de suicídio e o suicido aumentaram nesse período de pandemia. Além do isolamento social, que trouxe consigo a solidão para muitas pessoas, o estresse econômico e a incerteza sobre a própria subsistência; a dificuldade no tratamento da saúde mental devido à sobrecarga do sistema pelos pacientes da pandemia; o medo diante de doenças pré-existentes; o aumento da ansiedade diante da doença, a potencialização dos sintomas depressivos, a incerteza do novo “normal”, são fatores que tem contribuído para o aumento do suicídio. Segundo análise publicada no Journal of the American Medical Association - Psychiatry, nos Estados Unidos, esses fatores são os efeitos colaterais das necessárias medidas de isolamento e distanciamento social por conta da covid-19 que tem levado muita gente ao desespero e ao suicídio.


A prevenção ao suicídio deve ser uma causa de todos nós. Preserve a sua vida e ajude aquele que você perceber que não está bem e que pode vir a desinvestir da vida, a não desistir. Mostre que sempre é possível mudar a situação, mesmo quando parece que essa possibilidade não exista.


Referências:

https://bvsms.saude.gov.br/setembro-amarelo-e-dia-mundial-de-prevencao-ao-suicidio-10-9/ Consultado em 31.08.2021 às 9h50min.


https://www.uniad.org.br/noticias/saude/atendimento-do-samu-relacionado-a-suicidio-cresce-durante-a-pandemia/ Consultado em 31.08.2021 às 14h45min.