Autodiagnóstico e automedicação

 

É impossível negar o quanto a internet facilitou nossa vida, encontramos e contatamos com pessoas que não víamos há muito tempo, encontramos excelentes trabalhos científicos publicados em sites confiáveis, podemos pesquisar sobre vários assuntos. Porém, quando entramos na área da saúde, nem sempre ela facilita tanto, quanto as pessoas pensam.

 

Tenho propriedade apenas para falar da saúde mental, mas neste campo vejo muitos pacientes chegarem com o seu diagnóstico pronto em nossos consultórios, pois identificaram seus sintomas na internet, quando não tiveram ajuda de algum amigo que sente algo parecido e até lhe “doou” alguns comprimidos da medicação que toma e a pessoa tomou e se sentiu bem. Sendo assim, optou por procurar um profissional.

 

Fazer diagnóstico não é algo simples, visto que muitos sintomas se fazem presentes em várias patologias e na área psíquica, estes sintomas estão atrelados a história de vida pregressa do indivíduo, a sua história atual, bem como a história familiar. Precisamos no mínimo de oito encontros para podermos construir uma hipótese diagnóstica do paciente. Na maioria das vezes, temos que nos valer do diagnóstico diferencial quando estamos estudando o caso do paciente e mesmo assim, corremos o risco, de o paciente, nos dias de hoje, contestar a nossa hipótese diagnóstica porque viu na internet outra coisa.

 

O mesmo se dá com a medicação, dentro da área psíquica. Ainda existe o preconceito das pessoas em relação a psiquiatria. Em consequência disto, usam o antidepressivo, o ansiolítico que o ginecologista, o dermatologista, o cirurgião plástico prescreveu e preferem continuar pegando a receita com estes profissionais do que irem ao psiquiatra. Desconhecem que este tipo de medicação precisa ser ajustada a dosagem, que tem que ser acompanhada para ver se está realmente ajudando o paciente ou não, se o paciente está apresentando reações adversas que possam fazer com que desistam do uso da medicação, o que é muito comum de acontecer.

 

Frequentemente, somos questionados quanto a medicação que o psiquiatra prescreveu, mas ele é o profissional especialista nesta área. Nós psicólogos até temos que entender sobre a rota metabólica da medicação, dos efeitos adversos, mas não podemos interferir, até porque, é comum o paciente fazer um jogo entre psicólogo e psiquiatra, dependendo da sua patologia, e isto, precisa ser compreendido como sintoma do paciente pelos profissionais, para evitarem atritos.

 

O preconceito está associado ao medo, a resistência que as pessoas têm de o profissional retirar o véu que impede que se vejam, que descubram quem realmente são e fiquem decepcionados consigo.

 

A automedicação é um risco, porém, as pessoas parecem estar dispostas a pagar o preço. Não é porque um remédio é bom para o seu vizinho ou amigo, que vai ser bom para você. O que é bom para você, o seu médico é que sabe. Até mesmo vitaminas, estas só devem ser ingeridas se o médico prescrever, porque se o seu organismo não estiver precisando, ele irá eliminar e você colocou o seu dinheiro fora.

 

Em todas as áreas da saúde os profissionais acabam sendo questionados pelos pacientes, pelos seus familiares e amigos, refiro isto, porque recentemente vivi esta situação em função da fratura do cotovelo e se não tivermos a certeza de que estamos na mão de um bom profissional, ficamos trocando de médico a todo momento.

 

Diagnóstico e medicação só podem serem feitos e prescritos pelos profissionais da saúde. Mesmo que seu amigo ou vizinho queira lhe ajudar aliviar seu sofrimento, ouça, mas aproveite a fala dela como uma alerta para procurar um profissional. Várias são as maneiras que as pessoas encontram para nos ajudar, mas cabe a nós o bom senso de seguirmos suas orientações ou não.

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