O sentimento reprimido

23/08/2016

 

Por mais que queiramos escondê-los, em algum momento os sentimentos reprimidos virão à tona. São sentimentos que não foram resolvidos no passado e que surgem em determinadas situações da vida. Incrível é que na maioria das vezes não percebemos que ele já é nosso conhecido de longa data. No momento em que estamos vivendo a situação, não paramos para analisar e fazer as devidas associações.

 

Isto é fácil de identificar, basta estar atento. Por exemplo: se o nosso amigo ou parceiro nos faz alguma crítica, ficamos magoados, aborrecidos, tristes e presos ao que foi dito. Caso paremos para analisar porque ficamos tão desconfortáveis, provavelmente lembraremos de situações na infância, em que sofríamos várias críticas dos nossos pais. Não tínhamos a capacidade de entender que éramos inocentes e acabávamos aceitando como se fossem verdades absolutas.

Este registro está armazenado no nosso inconsciente. Sempre que alguém traçar uma crítica ao nosso respeito, o sentimento reprimido virá à tona e teremos a mesma sensação que tínhamos na infância.

 

O mesmo acontece com a pessoa que foi abandonada na infância. Quando se encontra em alguma situação em que o sentimento de abandono começa vir à tona, ela sente a necessidade de “sair fora”, ou seja, abandona para não ser abandonada. Ter que reviver este sofrimento é muito doído.

Quando estes sentimentos não resolvidos na infância, se manifestam na vida adulta e acabamos por interpretá-los mal, criando muitas vezes situações de conflito. Na realidade, tudo não passa de um grande mal-entendido, pois grande parte do nosso funcionamento, da leitura que fazemos das ações e reações das pessoas com quem convivemos, estão vinculados ao nosso passado.

 

A partir do momento que temos esta consciência e conseguimos compreender que os sentimentos do passado são acionados nas nossas relações, começamos o nosso processo de cura. Passaremos a entender que a leitura que fazemos em relação a fala e atitudes do outro está vinculada a nossa história e que não foi sua intenção nos magoar, machucar ou abandonar. Até porque, muitas vezes o outro não sabe do que vivemos na nossa infância.

 

Enquanto estes sentimentos não estiverem resolvidos dentro de nós, ficaremos muito sensíveis quando forem “cutucados”. É como você estar com um machucado na mão e alguém ficar o tocando: obviamente vai doer. O mesmo acontece com os nossos sentimentos reprimidos.

 

A partir do momento que tivermos esta consciência, toda vez que um sentimento reprimido se manifestar, precisamos dar-lhe um tempo para que se acomode, se tranquilize e consiga se equilibrar de novo. É difícil escutar nossos sentimentos, mas necessário para que possamos encontrar a liberdade e viver de forma mais harmônica conosco e com os outros.

 

É um processo fácil? Não, mas creio que necessário para quem quer mudar a sua maneira de ver e viver a vida.

 

Paz do eu!

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