A prevalência do pensamento concreto nos tempos atuais

03/09/2016

 

Este foi um dos pontos abordados no “Papo Cabeça” deste mês, por ser algo que está tão presente no nosso dia-a-dia e que acaba dificultando não só a comunicação entre as pessoas, mas também as relações interpessoais, visto que o entendimento da nossa fala se dá de forma fundamentalista.

 

O entendimento fundamentalista ou literal, como preferirem chamar, acaba por inibir o diálogo, pois a pessoa nos puxa para sua concretude, não nos deixando margem para entender o que está nas entrelinhas do que foi dito.

 

Aí é que entra aquele velho chavão de que “não adianta falar para quem não consegue escutar ou não quer escutar” e isto é uma das causas, infelizmente, do término de muitos relacionamentos que poderiam dar certo. Um dos membros do casal não consegue ou não quer decodificar a fala do outro e fica batendo sempre na mesma tecla, como se a sua fala fosse uma verdade absoluta. Algo característico de pessoas que não conseguem abstrair e que não se colocam à disposição do outro para escutar, apenas ouvem. Escutar é diferente de ouvir; escutar é pensar, é refletir, é buscar dentro de si argumentos sustentáveis para contrapor ou contribuir com a ideia do outro, é ser empático.

 

Uma das formas de desenvolver o processo de abstração é exercitar o ir e vir do pensamento. Usar a imaginação, de forma saudável, para ter uma melhor compreensão dos fatos ou situações que lhe são apresentadas. Claro que a leitura é algo que contribui muito, entretanto, sabemos que muitas pessoas não têm o hábito de ler ou ficam apenas na leitura técnica.

 

Outro ponto que contribui bastante para o pensamento concreto é o não questionar. Não digo questionar por questionar e sim com um embasamento; expressar o seu ponto de vista sem o medo de expô-lo. As pessoas ficam presas ao “não vou falar porque posso dizer uma bobagem”. Esta é uma boa maneira de justificar o seu “não pensar”, de não defender seus ideais, de não assumir a responsabilidade sobre aquilo que diz. Uma fala poder ser percebida como uma bobagem para uns, no entanto, para outros, trata-se de uma bela contribuição.

 

O que inibe as pessoas de se exporem, na realidade, é a falta do pensar. Não é todo mundo que está disposto a sentar e discutir diversos temas, de forma tranquila, natural. Optam por ocupar o seu tempo de outra forma, com outras coisas.

 

Tenho curtido muito este encontro mensal do “Papo Cabeça”, porque temos pessoas de várias áreas (direito, veterinária, publicidade, relações públicas, psicologia, administração) e isto enriquece a discussão, visto que são vários olhares diferentes para o mesmo assunto.  Não ficamos presos as questões psicológicas, mas transitamos pela filosofia, sociologia, antropologia, marketing, medicina e até as coisas do cotidiano.

 

O que concluímos ao final de cada encontro é que precisamos convidar as pessoas pensarem, respeitando a opinião e visão de cada um, pois só então, conseguiremos ter uma sociedade mais saudável, com pessoas mais felizes e harmônicas. Esta mesma conclusão usarei para encerrar este artigo.

 

Paz do eu!

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