A indiferença é a dificuldade de amar

09/09/2016

 

No mundo em que estamos vivendo, tudo passou a ser visto como normal e natural. As relações se tornaram líquidas, como coloca Bauman, e ao falar em relações, não me refiro às relações homem e mulher, mas no âmbito geral. As relações virtuais passaram a ser mais valorizadas do que as relações pessoais. As pessoas estão cada vez mais vivendo nos seus mundinhos, não conseguindo estender o seu olhar além do seu eu. As famílias, que são a base de todos nós, perderam seus referenciais. E a soma de tudo isto torna as pessoas mais ocas, indiferentes, egocêntricas, vivendo como se estivessem à margem de tudo o que acontece à sua volta.

 

Este olhar indiferente que vemos em nossa sociedade se dá pela falta de amor; amor que deveria começar a ser vivido no seio familiar, entretanto, o que muitos filhos aprendem em suas casas é a desvalorização, o desrespeito, a agressividade, para com o outro. O amor passou a ser banalizado, assim como a violência, como a indiferença. A indiferença pode ser compreendida como um ato de violência.

 

Ao falarem em amor, as pessoas pensam no amor éros e esquecem do amor fileo (amor-amizade, fraternal, social) e do amor storge (conjugal, familiar, doméstico). Não vou nem mencionar o amor ágape, para não dizerem que sou totalmente idealista. A falta do amor fileo e storge é que contribui para a indiferença, visto que se perde a fraternidade, o amor humano, tornando as pessoas mais duras e insensíveis.

 

Quando nós humanos não mais conseguimos sermos fraternos com a nossa família, com os nossos amigos e conhecidos, como poderemos nos condoermos com o sofrimento alheio? A partir desta perda é que passamos a enxergar tudo como natural e normal e não nos damos conta que este olhar é o olhar da indiferença, daquele que é impedido de amar, porque caiu no vazio do mundo moderno.

 

Esta incapacidade de amar é que gera tanto sofrimento e violência, que contribui para que as pessoas ajam de forma instintiva, fazendo valer a lei de talião, ou seja, “olho por olho, dente por dente; a lei da vingança. Vingar-se de alguém porque nos fez algo, nos iguala a pequenez daquele ser que não consegue dar mais do que nos deu ou do que se mostrou ser.

A indiferença pode ser entendida como uma defesa do medo que a pessoa tem de revelar a sua incapacidade de amar. Portanto, sempre que perceber a indiferença em alguém, ao invés de se indignar, de ficar chateada, magoada, agradeça a ela pela oportunidade de ver que você ainda é um ser capaz de amar. Não deixe de amar por causa da indiferença dos outros: faça a diferença na vida daquele que não consegue amar.

 

Paz do eu.

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