Redes viciantes

05/11/2016

 

É lamentável que nós, humanos, transformemos as coisas que vem para nos servir, nos dar prazer, em algo viciante e destruidor. Um dos objetivos das redes sociais foi aproximar pessoas, propiciar o contato entre aqueles que há muito tempo não se viam, resgatar relações que se perderam na estrada da vida. Entretanto, as pessoas passaram a usá-las de forma inadequada. Não respeitam o espaço em que estão, para acessarem. Não importa se estão num grupo de amigos, em um restaurante, na igreja, num velório, em um consultório, na rua, etc., elas precisam estar conectadas ao que está acontecendo.

 

Vê-se que as pessoas desenvolveram uma dependência destes meios de comunicação, até porque, eles reforçam alguns comportamentos e sentimentos nas pessoas, como por exemplo, o controle, o voyeurismo, a ansiedade, a frustração, a tristeza, a inveja, a raiva, o exibicionismo, entre vários outros. Porém, o bom de tudo isto é que estes comportamentos e sentimentos não são percebidos como sintomas e nem mesmo como falta de educação e sim como um lazer.

Temos que reconhecer que as pessoas que não conseguem se desconectar têm um comportamento não muito diferente do alcoolista e do dependente químico. Trata-se de um vício, que faz com que muitas pessoas não saiam de casa para ficarem conectados ou quando saem, mesmo num grupo de amigos, têm que estarem conectados. Porém, isto não é percebido pela maioria das pessoas como um vício, sendo aceito pela sociedade.

 

Este é um problema que atinge todas as classes sociais, culturais, econômicas, independente de faixa etária. Outro dia eu estava na missa e enquanto o frei fazia a homilia, uma senhora olhava suas redes sociais. Fiquei pensando: se fosse um jovem todo mundo falaria, diriam que não tem noção, que é desrespeitoso, etc. E quando se trata de uma pessoa mais velha?

 

Isto acontece nos restaurantes e cafeterias. As pessoas sentam e a primeira coisa que fazem é colocar o celular sobre a mesa e já começam a olhar, permanecendo, por vezes, um silêncio. Na casa da gente também acontece, as visitas chegam e já começam a mexer no celular, deixando o dono da casa numa situação constrangedora.

 

As redes sociais vieram para somar, porém, estão subtraindo. As pessoas estão se isolando, dando vasão ao seu mundo imaginário e vivendo uma vida fantasiosa. Percebe-se nitidamente quando conhecemos um pouco mais as pessoas, a dissociação existente entre a vida real delas e o que postam nas redes sociais, parece que é algo para se auto promoverem. Vê-se que estão postando o seu ideal de ego.

 

Com isto, as amizades se distanciam, as rodas de bate-papo não acontecem porque as relações são virtuais, afinal, o virtual aceita tudo. Os momentos culturais são deixado de lado ou quando vão, obviamente, não aproveitam plenamente, porque dão mais atenção para as redes sociais do que para o evento em que estão. A leitura! Ah, esta ficou esquecida. As pessoas leem as notícias na internet e acreditam que estão adquirindo cultura. Com isto, temos pessoas cada vez mais rasas, difíceis de estabelecer um diálogo, de opinarem sobre algo, de se posicionarem.

 

Não sou contra redes sociais, tanto que estou em quase todas, mas não podemos ficar dependentes. Temos que ter tempo para família, para os amigos, para o lazer, para o estudo, para leitura, para meditação, etc.

 

O processo para vencer este vício é o mesmo que se usa para dependência química/alcoolismo, ou seja, desintoxicar. Ter um horário definido para entrar nas redes sociais, procurar se envolver com outras coisas, preencher o tempo com algo produtivo e nos casos mais acentuados, diria que ter o mesmo propósito dos Alcóolicos Anônimos: “só por hoje não vou beber”. No caso de dependência de redes sociais é “só por hoje não vou me conectar”. Lembre-se que existe vida fora das redes sociais e que vou precisa aproveitá-la.

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