Sociedade do EU

20/01/2017

 

Infelizmente estamos vivendo em uma sociedade em que as pessoas conseguem ter um olhar para si, para os seus interesses, para os seus desejos, para suas vontades, para suas curiosidades e não se preocupam com a repercussão que isto poderá ter na vida do outro.

 

Acham-se no direito de reclamar, de se ofender, mas ninguém faz nada para mudar. Ao escutarmos as falas de algumas pessoas, parecem que não fazem parte da sociedade, pois apontam as falhas dos outros, criticam, como se eles nada tivessem haver com o momento social, político e econômico que vivemos. As pessoas não conseguem se perceber como um taxpayer, ou seja, não se vê como parte da solução, acredita que não tem nada a ver com o processo. Os americanos tem uma percepção de taxpayer e o nós brasileiros que tanto gostamos de copia-los deveríamos ser mais participativos, exercermos a cidadania nos vendo como parte da solução, entretanto, esperamos que o governo nos dê a solução para educação, para saúde, etc. Queremos um governo paternalista, que nos mantenha infantilizados, acreditando que os outros têm que dar a solução para os nossos problemas e atender a nossa demanda, como se tivéssemos que sermos reverenciados, pois vivemos a cultura do Eu.

 

Esse individualismo que está cada vez mais forte em nossa sociedade pode ser associado a forma como os pais estão criando seus filhos, agindo como se eles fossem os “reizinhos” da casa, tendo as suas necessidades que serem atendidas, mesmo que para isto, os pais precisem abrir mão de algumas coisas que seriam importantes para eles. Incentivam o espírito de competição desde muito cedo e na escola querem que seus filhos se destaquem a qualquer custo. Acreditam que têm que dar aquilo que não tiveram na infância, sem perceberem que estão querendo realizar seus desejos e resolver suas frustrações através do filho. Com este entendimento ficam impedidos de mensurar o quão prejudicial é a esta maneira de cria-los.

 

Tudo isto tem contribuído para a construção de uma sociedade de pessoas vazias, porque o narcisismo não abre espaço para troca de ideias, não ajuda a desenvolver o pensar, ele só contribui para que o indivíduo se torne oco.

 

Uma sociedade formada pelo Eu só pode ser uma sociedade doente, em que cada um acredita ser o melhor, em que a projeção é o mecanismo mais usado, desvalorizar e menosprezar são os verbos da vez, pois só assim, o narciso conseguirá se sentir “o cara”. Na realidade, quando pensamos na sociedade do Eu, pensamos em uma sociedade de pessoas que não acreditam em si, que são preenchidas pelo sentimento de inferioridade, de pessoas impotentes, que estão sempre em busca de aprovação e admiração. Falamos de pessoas que acreditam que os outros devem sempre satisfazer suas satisfações, que não conseguem ser empáticos, ou seja, não conseguem se colocar no lugar do outro.

 

Até quando viveremos assim não sei, mas espero que consigamos promover uma mudança, para que tenhamos uma sociedade mais humana, disposta a resgatar os valores perdidos e vivermos uma vida mais saudável.

 

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