A dor de perder os pais é para sempre, mas não precisa ser sempre a mesma.

08/08/2017

 

Apesar de sabermos que faz parte da lei natural da vida enterrarmos os nossos pais, quando isto acontece ficamos fragilizados, nos sentimos desamparados, muitas vezes sem chão. Isto está associado ao sentimento de orfandade que brota.

 

Existem casos em que os pais são enterrados pelos filhos, mesmo estando vivos, porque não querem ter contato com eles; outros em que os filhos são órfãos dos pais, porque estes os abandonaram.

 

Independente da maneira como enterramos nossos pais, a dor que suscita neste momento se dá não apenas por não termos mais o contato físico com eles, mas porque também enterramos uma de nossas máscaras, partindo do conceito de persona. Enterramos a máscara de filho, perdemos esta condição, visto que não teremos mais a quem chamar de pai ou de mãe, vivemos um luto duplo.

 

A dor vivida também se manifesta porque não lembramos que apesar de termos enterrado nossos genitores, estes continuam muito vivos dentro de nós, até mesmo nos casos em que os filhos enterram seus pais quando ainda estão vivos. Eles estão no nosso DNA, no nosso comportamento, nas nossas atitudes. Quando nos damos conta disso, o nosso sofrimento alivia e conseguimos lidar melhor com a dor da perda.

 

Infelizmente, não estamos preparados para lidar com a finitude. Não nos damos conta que a partir do momento em que nascemos, começamos a caminhar ao encontro dela. Alguns a encontram ainda quando crianças, outros na adolescência e algumas pessoas só vão ter este encontro na senilidade. Mesmo sabendo que todos nós percorremos este caminho, nunca estamos preparados. Acreditamos que teremos nossos pais para sempre e por isto, talvez, que nem sempre reconhecemos o real valor que eles têm para nós e a importância deles para a construção do nosso caráter e da nossa personalidade.

 

Os pais são os nossos sustentáculos, a nossa base, o nosso alicerce. No momento em que temos que conviver com a ausência deles, precisamos aprender a pensar como eles nos aconselhariam em determinadas situações e seguir aquilo que acreditamos que seja o melhor para nós. Afinal, o convívio com eles no decorrer da vida faz com que saibamos como eles nos orientariam a agir quando nos encontramos em apuros.

 

Uma das formas de nos mantermos conectados com eles é por meio da oração. Orar por eles e pedir para que possam continuar nos iluminando é uma das formas de nos consolarmos com a ausência deles. Claro que isto só serve para quem crê.

 

A dor da perda faz parte do processo de luto, assim como, a saudade. Na medida que o tempo vai passando e que vamos conseguindo elaborar o luto, conseguimos lidar melhor com a dor da perda e aprendemos a lidar com a ausência daqueles que nos geraram, nos criaram, que nos apresentaram para vida e que ao completarem o seu ciclo de vida nos deixam, talvez com a esperança de que venhamos a dar continuidade as experiências que nos passaram.

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