A tolerância começa com o outro

 

Não tem como se negar que a tolerância se instaura a partir do reconhecimento da existência do outro, que assim como eu, tem direitos, deveres e também ocupa um espaço, mas que é completamente diferente de mim. Apesar de parecer algo tão óbvio, esse entendimento é altamente enganador, a começar pelo entendimento do “outro”, até o seu “reconhecimento”.

 

A relação com o outro se estabelece de forma assimétrica, pois o outro não sou eu, tem entendimentos diferentes do meu, seu gosto também pode se diferenciar do meu, portanto a relação de simetria eu/tu que tentamos estabelecer em relação ao outro revela apenas o limite de tolerância, o desconhecimento do outro ou até mesmo o germe da intolerância.

 

A base da tolerância deve ser o respeito e o reconhecimento do outro, lembrando que cada indivíduo pode ser caracterizado por um vasto espectro de habilidades, de competências, de interesses, de sonhos, de projetos de vida em múltiplos sentidos e esses espectros não são comparáveis. Portanto, a diversidade é a regra, a norma é saber lidar com as diferenças. Reconhecer o outro, perceber e aceitar que sou diferente dele, não me condiciona a uma comparação entre ele e eu, visto que isso provocaria uma desigualdade, pois teríamos um “melhor” e um “pior”. Porém, isso é algo que na maioria das vezes não é levado em consideração quando o assunto é convivência das mais diversas perspectivas, no entanto, é fundamental para a construção da autonomia.

 

A tolerância começa com a diversidade, a aceitação do outro como ele é, com o respeito pelas diferenças, a imponderabilidade das habilidades e interesses, dos projetos individuais, o reconhecimento que a existência humana não é passível de comparação ou equivalência, que não podem ser tratados como se   fossem apenas um objeto. No entanto, insistimos em tratar o outro como se ele fizesse parte de nós, não respeitando, muitas vezes, sua opinião, seus valores, seus sonhos e projetos, impondo a nossa intolerância como se tolerância fosse.

 

As coisas que não me interessam, não me desrespeitam e que não me sinto responsável é fácil ser tolerante, agora, o difícil é manter-se tolerante com o sujeito que transcende os limites da ética, da convicção e da moral.

 

Apesar de a tolerância parecer algo tão simples, ela é complexa. Sempre que algo envolve o outro perde sua simplicidade, devido à complexidade do ser. O outro é um convite para eu exercitar a tolerância, sem ele, a tolerância não teria sentido.

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