• Anissis Moura Ramos

Dia Mundial da Pobreza


Este é o segundo ano que se comemora na Igreja Católica o dia mundial do pobre, instituído pelo Papa Francisco. Hoje, na missa, enquanto escutava a homilia do frei fiquei pensando o que é pobreza e qual seria a pior pobreza que vivemos nos dias de hoje. Entende-se por pobreza a falta daquilo que é necessário para subsistência, a penúria, situações que vemos aumentar todos os dias nas ruas da nossa cidade. Será que ela atinge apenas as pessoas desprovidas, os oprimidos, os sofredores, os que colocamos a margem da nossa sociedade ou ela está na nossa empáfia, na dificuldade de termos um olhar para o outro, na falta de compaixão, na falta de tolerância, na dificuldade de lidar com as diferenças, na ausência do autoconhecimento, na desonestidade, etc?

Dificilmente paramos para refletir sobre as coisas que escutamos, mesmo quando ditas em um ambiente religioso, porque acreditamos que aquilo que foi falado não foi para nós e por isso, continuamos mantendo a mesma postura. Acredito que precisamos entender e pensar sobre o pobre no sentido mais amplo, porque a pobreza não se limita as carências materiais, ela se estende também para nossa alma, quando nos julgamos superiores, porque precisamos nos afirmarmos enquanto ser. Também, quando não conseguimos ser solidários ou não nos comovemos com a dor do outro, porque só temos olhos para nós. O empobrecimento do humano tem crescido em virtude do aumento do individualismo e porque perdemos a sensibilidade de nos escutarmos, distanciando-nos do nosso verdadeiro eu.

Quando apreendermos silenciar e escutar o que o silêncio tem a nos dizer, talvez consigamos saciar os pobres. Para tanto, faz-se necessário o autoconhecer-se. Aquele que busca caminhar ao encontro da sua essência, ou seja, do seu verdadeiro eu, consegue escutar o grito do oprimido, do sofredor e ajudá-lo a se libertar. Porque a pobreza maior está no humano, refletida nas carências materiais e sociais.

É impossível refletir sobre o pobre sem pensar em Teologia da Libertação e em um dos seus ícones. Na percepção de Leonardo Boff, “toda opressão clama por uma libertação. Por isso, onde há opressão concreta e real que toca a pele e faz sofrer o corpo e o espírito ai tem sentido lutar pela libertação”. Quando tivermos essa consciência, talvez consigamos libertar o grito do oprimido que está preso dentro de nós e alimenta a nossa pobreza enquanto ser, impedindo, muitas vezes, que possamos escutar e/ou ver a pobreza do outro, porque ela nos assusta. Referência: https://www.pensarcontemporaneo.com/centralidade-dos-pobres-e- oprimidos-para-teologia-da-libertacao/


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