A pandemia e o espelho nos mostram quem somos

Atualizado: Abr 13


A pandemia veio para fazer com que saíssemos do mundo da automaticidade, da pressa, da indiferença, do egoísmo e fez com que nos defrontássemos com o nosso verdadeiro Eu. Claro que nem todos conseguiram desfrutar dessa oportunidade, basta ver os números de pessoas que ocupam os leitos de CTIS e enfermarias e aqueles que burlam as regras impostas pelo governo, desconsiderando a real situação que vivemos. Colocam a sua vida e a dos demais em risco, mas esse tipo de preocupação não faz parte da vida dessas pessoas.


O espelho passou a ser o reflexo mais abominável que a Covid-19 poderia nos oferecer, seus reflexos mostram aquilo que sempre procuramos omitir e até mesmo esconder. Ele nos convida a parar e a refletir quem realmente vemos do outro lado. Ele faz com que nos vejamos desnudos , sem qualquer proteção, para que possamos nos defrontarmos com a nossa essência, percebermos que fazemos parte de uma sociedade adoecida, em que o ter se sobrepõe ao ser, mesmo que para atender a demanda do ter, tenhamos que abrir mão de valores éticos e morais. O indivíduo só se sente ser, através do ter. Desconhece sua essência. Percebe através do espelho que é igual a todas as pessoas que julgou, criticou e apontou o dedo e nega essa realidade, porque sua estrutura de ego não lhe permite se defrontar com a realidade que o espelho lhe mostra.


A preocupação de algumas pessoas, mesmo frente ao momento caótico que estamos vivendo, de mortes, de falta de leitos, do sistema de saúde colapsado, é o retorno ao “mundo normal”, o mais breve possível. Afinal, o coronavírus não é um problema delas, acreditam que cabe a terceiros encontrarem a solução para conter esse vírus. Não se sentem responsável por nada que acontece no mundo e muito menos com os outros humanos. O que importa e que tem peso é seguir aquilo que todos pensam, as regras impostas pelo mercado, a lógica da imprescindibilidade, preservar a “lei de Gerson”, pois desta forma conseguem se sentirem amalgamadas as coisas que lhe convém.


A desumanização do humano tornou-se límpida, deixou claro que vivemos em uma sociedade que nos estimula ser cada vez mais solidários as injustiças, pois elas não nos desrespeitam. O individualismo, a onipotência, a negação da realidade, entre tantas outras coisas, nos conduz a uma cegueira premeditada.


O espelho trazido pela pandemia, nos mostra que não somos nada quando não temos o olhar do outro e a sua aprovação, quando temos que abrir mão daquilo que corremos tanto para adquirir, porque não temos condições para manter, que o dinheiro, o status, o plano de saúde, nessa hora não tem valor. A única coisa que vale, que nos conforta e nos deixa bem é o nosso Eu verdadeiro. Daí a importância de cuida-lo, de respeita-lo e não se deixar levar pelo o que os outros julgam ser bom e necessário em nossas vidas.

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